Esse texto é destinado à estudantes de História ou simpatizantes desta. Aborda o "Gran Finale" ou "Climax" teorico da constituição da historia como disciplina escolar, como ciência. faz analises sucintas, porem objetivas e fundamentadas. Não obstante, apresenta, também, opnião do autor.
O estudo da História sempre nos trouxe indagações. Em primeiro ponto seria como analisar uma coisa “invisível” (o passado), que não o vemos, não o tocamos; como decidir sobre os fatos ocorridos? Para os apaixonados pela memória das sociedades, a falta de legitimação das interpretações desta era (e ainda é) um dos maiores empecilhos para a criação do saber histórico. Em segundo, as subjetividades dos seres humanos: os historiadores são sujeitos de sua época, são tendenciosos. Buscaremos analisar aqui reflexões, os caminhos, métodos e perspectivas de algumas correntes dos paradigmas no decorrer da evolução do pensamento histórico.
Devemos aos positivistas nosso caráter cientifico dedutivo, mais precisamente com Ranke o “primeiro” em criar um método para a produção do pensamento histórico: a crítica metódica do documento. As bases deste teórico e as maneiras de como lidar com o documento ainda persistem, porem as fontes são perigosas dependendo da sociedade em que o investigador vive ou pesquisa, na nossa, por exemplo, se formos atrás de fontes originais sobre colonização do extremo norte brasileiro encontraremos documentos, na maioria dos casos, europeus, os quais são carregados de barragens temporais, ideológicas, subjetivas, culturais e lingüísticas de pessoas que viveram no XV e XVI e que necessitam ser olhados com uma pluralidade metodológica e anti-anacrônica. Somente a perspectiva Rankeana não seria suficiente para alcançar uma interpretação puramente objetiva, os valores do historiador estariam de forma direta ou indireta impressos na interpretação e este olhar positivo acabaria simplesmente em narrar, exaltar e criar ícones desse passado.
O materialismo histórico e dialético dos marxistas é sensacional para os apaixonados em estudar a historia das sociedades do ponto de vista dinâmico e revolucionário, um olhar carregado de pessimismo e ao mesmo tempo esperançoso da humanidade. De fato os grupos humanos estão em constantes “mutações”, mas será que todas as sociedades são como os marxistas propõem: uma sociedade encravada de classes e identidades, profanada por ideologias e um cotidiano conflitante? As sociedades indígenas sul-americanas não possuem em sua cultura muitas dessas características. Isto é, a visão globalizante do marxismo não atende por completo a complexidade cultural da atualidade e a postura metodológica para a História atual, pois resume todas as relações sociais de todas as sociedades em leis permanentes.
Os Annales fundam uma “nova-história” podendo ser reconhecida como uma incorporação ou aproximação das Ciências Sociais à História, produzindo uma análise que rejeitava a ênfase predominante em política, diplomacia e guerras que muitos historiadores do século XIX valorizavam. Ao invés, foram pioneiros na abordagem de um estudo de estruturas históricas de longa duração nos eventos. A Geografia, a cultura material e o que posteriormente – na “virada dos paradigmas”, do moderno para o pós-moderno - os Annalistas chamaram mentalidades (o domínio mental) ou a psicologia da época também eram áreas características de estudo. Uma revolução, podemos assim dizer, na pesquisa historiográfica dos séculos XIX e XX. No entanto, guerras, bombas atômicas, globalização, revoluções, crises econômicas, extermínio étnico, conflitos étnicos e geopolíticos e emancipação feminina e racial no decorrer do século XX, vêm mudando (ou já mudou) a abordagem dos historiadores para um trabalho no campo na história cultural e da história econômica (marxismo).
Já na “virada dos paradigmas”, a partir da década 1960, temos o nascimento da história cultural caracterizada pela “cientificação” da subjetividade, pois freqüentemente combina as abordagens da antropologia para olhar as tradições culturais da experiência histórica. O trabalho desta tendência é muito útil, atualmente, para entendermos a diversidade de visões de mundo e os problemas que os envolvem: entendimentos estes necessários para uma divulgação de tolerância entre os fazedores da história. Para tanto, a postura do historiador tem que ser imparcial, o que definitivamente compete à condição humana, cultural e sua psicologia.
O que se percebe no nosso discurso é a necessidade não só de uma teoria sobre a História, mas se possível de todas elas - as metodologias ou pensamentos que nos demonstram caminhos para a formulação das interpretações. Ora! O que nos caracteriza como cientistas é o fato de termos método para analise das fontes e se temos metodologia é por que temos conhecimentos sobre as demais tendências e que ao mesmo tempo direta ou indiretamente ou até “inconcientemente” a usamos nas nossas visões particulares sobre o presente e passado, apesar de já possuímos uma que achamos que é a mais significativa. Ou seja, a nosso ver, dizemos que somos marxistas ou culturalistas, mas na verdade nossa formação intelectual e nossas atitudes sobre os fatos são conseqüência de todo o conhecimento teorizado e capitado por nós, estudantes da História.
Nas entrelinhas do exposto, percebemos que a história é uma ciência que estuda o Presente, pois o que nos motiva a buscar as respostas no Passado são, obviamente, as perguntas do Presente.
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